Entre a loucura e a liberdade: um caso escrito por uma ACS

Saúde Mental NASF e Consultório na Rua

Hoje tem supervisão de território no CMS Fernando Antonio Braga Lopes, nosso CAJU!

Eu, o Alexandre Trino, supervisor desse território e a equipe da unidade começamos uma conversa sobre o papel do Agente Comunitário de Saúde no cuidado em saúde mental na atenção primária.

Compartilho com vocês um texto muito bacana escrito por uma ACS. Ele é feito de um jeito simples e apresenta, através do relato de experiência, questões como:  vínculo, trabalho territorial, trabalho em equipe e estigma. O documento foi publicado na coleção Saúde Loucura. A organização desse volume foi feita pelo saudoso Antonio Lancetti.

O texto começa assim:

“Eu conheci o Leão antes de ser agente comunitária de saúde, há vinte anos. Ele ficava em cima da laje da casa dele mexendo com todo mundo. Acho que me lembro bem desta época porque sempre que eu passava, ele dizia: — Olha! Você é muito bonita. Eu queria…

Ver o post original 154 mais palavras

Elas na Rua #cnarua

Saúde Mental NASF e Consultório na Rua

Dia 22 de março de 11:00 às 15:00, o Consultório na Rua da AP 1.0 estará na Praça Mauá em uma ação coletiva chamada Elas na Rua.

Esse projeto vem nascendo da vontade das equipes de Consultório na Rua da AP 1.0 e de pessoas solidárias em mostrar a beleza e a força dessas mulheres.

A AP 1.0 tem duas equipes alavancando essa ação. A equipe Cigana  que cobre as populações em situação de rua na região da Lapa e Centro e fica no Centro Municipal de Saúde Oswaldo Cruz e a equipe Anastácia que cobre a região da Central do Brasil, Gamboa e Praça Mauá fica na Clínica da Família Nélio de Oliveira.

Na programação do dia estão previstas atividades como:

  • oficina de artesanato
  • meditação/mindfulness
  • alongamento
  • cardioboxe
  • maquiagem
  • roda de conversa
  • Rap da Saúde

Se você quiser entender um pouco do que esses grupos têm feito no…

Ver o post original 37 mais palavras

Adolescência, violência e depressão

Gosto muito de ler a revista científica Community Mental Health Journal. Na última saiu um estudo que me chamou a atenção considerando a construção e oferta de serviços de saúde mental atual. O nome é:

Longitudinal Trajectory of Adolescent Exposure to Community Violence and Depressive Symptoms Among Adolescents and Young Adults: Understanding the Effect of Mental Health Service Usage

Trata-se de uma pesquisa que diferencia a relação direta e indireta entre a experiência da violência na juventude e sua associação com problemas de saúde mental e o uso de serviços de saúde mental.

3 questões norteiam o estudo:

  1. se a vivencia de situações violentas se associa a sintomas depressivos;
  2. se a vivencia de situações violentas onde o adolescente é vitimizado se associa com o uso dos serviços de saúde mental
  3. se o papel dos serviços de saúde mental têm sido atenuar os sintomas provenientes dessas situações.

As repostas para essas perguntas foram:

  1. adolescentes que testemunham situações de violência tendem a apresentar sintomas depressivos na adolescência mais do que como jovens adultos;
  2. A exposição direta a violência na adolescência  não prediz sintomas depressivos nesta fase, mas os mesmos tendem a ocorrer na vida adulta;
  3. O uso de serviços de saúde mental pode ser protetor de sintomas depressivos para adolescentes que vivem em comunidades violentas.

Ainda não li o estudo todo! Ainda… ele não está disponível.

Mas achei que ele apresenta questões que podem ajudar a repensar soluções mágicas para problemas complexos.

Que é difícil ver com os olhos os resultados da aposta do cuidado em saúde mental nós já sabemos. De todo modo, a perspectiva do não fazer ou a de não olhar para a necessidade dos casos de crianças e jovens que hoje vivem em situação de vulnerabilidade psicossocial com a presença de violência pode ser considerada catastrófica.

Obrigada pela visita e boa leitura!

Karen

foto: http://www.ismai.pt/pt/PublishingImages/Imagens_Ext/Violencia_Adolescentes70928853.jpg?RenditionID=15

 

 

Eu escolhi você!

Os opostos se atraem? Sim não? Quando? Como as alianças invisíveis dos relacionamentos hoje se constroem fisicamente, quimicamente, racionalmente?

Como a atração entre duas pessoas acontece?

Em uma conversa de bar, nas festinhas de final de ano, um amigão cita com entusiasmo um artigo publicado na Nature sobre a influencia do HLA nas parcerias humanas e satisfação sexual. Neste, a ideia principal é a de que os opostos se atraem.

O estudo trazia um pouco mais do que isso… por exemplo: a importância do odor nessa busca instintiva, incluindo o desejo de procriar. É legal! Vale a pena ler e observar como a ciência pode ajudar na demonstração de que essa “história” é ainda um mistério.

Compartilhei aqui também outra referência que essa semana me botou pra pensar em “como”, “quando” e “por quê” se escolhe um par.

Clarice Falcão, que não é cientista, dá uma resposta engraçada. (se você for menor de 18 anos ou se incomodar em ver cenas de nu não clique no vídeo)

Resumindo, a conversa me levou da “origem” descrita nos textos bíblicos, incluindo de fotos que remetem ao paraíso e tentação ao proibido, aos tempos de youtube, redes sociais e escolhas feitas sem cheiro.

Feliz Natal e obrigada pela visita e leitura!

Karen

Referências:

Como o seu corpo escolhe o seu parceiro sexual sem que você perceba? BBC Brasil

Influence of HLA on human partnership and sexual satisfaction ( Nature, 2016)

Acumuladores Compulsivos

A apresentação compartilhada neste link é uma tradução adaptada das recomendações do Sistema de Saúde Britânico para lidar com situações de acúmulo compulsivo. Basta clicar:

cuidado-em-saude-mental-de-acumuladores-compulsivos

A foto que ilustra esse post é de uma matéria sobre como lidar com esse tipo de situação. Veja http://www.fasdapsicanalise.com.br/como-lidar-com-um-acumulador-possessivo-colecionador-de-lixo/

O artigo é muito legal e dá boas dicas de cuidado para essa situação

Além disso, inclui  aqui uma reportagem que entrevista famílias, vizinhos e acumuladores.

Obrigada pela leitura e visita!

Karen

Rio de Janeiro, Afeganistão e o cuidado afetivo de experiências traumáticas!

Esses dias…, (muitos dias) eu estava conversando com colegas sobre como podemos criar mecanismos para lidar com as situações de violência que atravessam o trabalho em saúde.

Ultimamente (cotidianamente, cronicamente, armadamente), no Rio, a população tem se visto de novo diante da intensificação de situações de guerra… que se misturam com situações de vulnerabilidade econômica e social.

O cenário atual da saúde por aqui conta com serviços inseridos nesses territórios atendendo a população que sofre com a violência armada.

Enquanto a sensação de impotência quase tomava conta da roda de conversa em grupo buscando criar ações para ao mesmo tempo proteger as equipes inseridas nesses espaços, bem como o seu mandato de cuidar da saúde de populações vulneráveis, eu me lembrei de um vídeo que eu tinha visto a um certo tempo no Tedtalks (meu vício).

Esse vídeo traz a experiência de uma psicóloga Junguiana que trabalhou em situação semelhante no Afeganistão. Ela conta como seu grupo estabeleceu conecções afetivas fortalecedoras considerando que a fala e a escuta de sobreviventes no Afeganistão, em situações bem parecidas com as que vivemos hoje aqui no Rio, podem ser cuidadas.

Vale a pena dar uma olhadinha no vídeo e também  cuidar disso…

obs: pra quem não estiver visualizando a legenda em português, dá pra selecionar ! é só clicar quadradinho do canto direito do vídeo.

Veja, ouça e comente.

Obrigada pela leitura!

Karen