Rio de Janeiro, Afeganistão e o cuidado afetivo de experiências traumáticas!

Esses dias…, (muitos dias) eu estava conversando com colegas sobre como podemos criar mecanismos para lidar com as situações de violência que atravessam o trabalho em saúde.

Ultimamente (cotidianamente, cronicamente, armadamente), no Rio, a população tem se visto de novo diante da intensificação de situações de guerra… que se misturam com situações de vulnerabilidade econômica e social.

O cenário atual da saúde por aqui conta com serviços inseridos nesses territórios atendendo a população que sofre com a violência armada.

Enquanto a sensação de impotência quase tomava conta da roda de conversa em grupo buscando criar ações para ao mesmo tempo proteger as equipes inseridas nesses espaços, bem como o seu mandato de cuidar da saúde de populações vulneráveis, eu me lembrei de um vídeo que eu tinha visto a um certo tempo no Tedtalks (meu vício).

Esse vídeo traz a experiência de uma psicóloga Junguiana que trabalhou em situação semelhante no Afeganistão. Ela conta como seu grupo estabeleceu conecções afetivas fortalecedoras considerando que a fala e a escuta de sobreviventes no Afeganistão, em situações bem parecidas com as que vivemos hoje aqui no Rio, podem ser cuidadas.

Vale a pena dar uma olhadinha no vídeo e também  cuidar disso…

obs: pra quem não estiver visualizando a legenda em português, dá pra selecionar ! é só clicar quadradinho do canto direito do vídeo.

Veja, ouça e comente.

Obrigada pela leitura!

Karen

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Dia Mundial da Saúde Mental #WMHD

Hoje é dia mundial da saúde mental! Quem nunca sofreu, se sentiu angustiado ou teve medo?! A campanha é pela dignidade e equidade no cuidado. Não ao estigma e preconceito p.f.v.. Estresse, angústia, sentimentos sombrios podem acontecer com qualquer pessoa. A campanha é pela inclusão dessa escuta e acolhimento.

Leia o artigo escrito pelo presidente da Campanha:

http://www.huffingtonpost.com/entry/world-mental-health-day-monday-10th-october-2016_us_57fa5fa0e4b0d786aa52b5c6

 

Avaliação e Políticas de informação em Saúde Mental

Nesta quinta-feira, dia 30 de junho, às 10:00 da manhã, a Rede Social Mental Health Innovation Network estará promovendo um debate sobre a produção de registros e informação em saúde mental no Brasil.

O formato é de Webinário e qualquer um pode se inscrever e enviar perguntas para as palestrantes.

Segue abaixo o link para inscrição e maiores detalhes!!!

Eu vou participar e você?

Ah será em espanhol. Enviem perguntas!!! Ë uma super oportunidade de movimentarmos essa importante discussão.

inscrição no WEBINAR

Obrigada!

 

Trabalho colaborativo e integrado: desafios que o NASF traz para o SUS

…uns pares de anos atrás, em um curso com um professor espanhol de Zaragoza, sobre, acho que, metodologia de pesquisa qualitativa, estávamos discutindo a portaria que criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família.

A ideia ali era pensarmos juntos na proposta normativa que incluía na linguagem do SUS alguma coisa nova, começando pela inclusão da palavra-ideia: trabalho em colaboração.

Referência e contra-referência como modalidades de encaminhamento e de apoio na ligação entre diferentes níveis de atuação do sistema de saúde passaram a ser acompanhadas dessa nova referência.

Pois é, …

Naquela conversa que eu não me lembro quando e nem direito porque eu estava presente, esse professor que eu não me lembro o nome me fez uma pergunta que me motivou a fazer o doutorado:

Qual o impacto do NASF ( da inclusão de práticas colaborativas que integram diferentes profissões) no SUS que vinha sendo organizado por práticas de encaminhamento entre diferentes profissionais atuando em diferentes níveis de complexidade (e com muito pouca comunicação entre os mesmos)???

A pergunta é grande, mas é assim mesmo, e eu acho que ainda não consigo responder…enfim…

Desde aquele tempo muitas coisas se passaram… e os NASF cresceram em cobertura e em desenvolvimento de ações cada vez mais qualificadas.

Hoje, em razão de uma das disciplinas do tal doutorado tive que reler 2 importantes documentos de orientação para a prática das equipes dos novos, já nem tão novos, serviços NASF.

O Caderno de Atenção Básica (n.27), criado dois anos depois da portaria dá as diretrizes para a constituição e organizaçao das equipes e serviços NASF com o objetivo de apoiar e ampliar a capacidade da Atenção Primária Brasileira resolver problemas no território.

O segundo Caderno de Atenção Básica sobre o assunto ( n. 39), publicado em 2014, avança na discussão. Ele aponta ferramentas para a gestão e trabalho e descreve as linhas de ação do NASF com base em 3 pilares:

  1. retaguarda especializada
  2. clínico-assitencial
  3. técnico pedagógica

As ações tem seus referenciais conceituais alinhados com a atenção primária e visam, em tese, o cuidado continuado, longitudinal, próximo e integral.

De todo modo, através desses anos de estudo e experiência na área através da clínica, pesquisa e discussões técnicas é inegável que o impacto extrapola as organizações de saúde.

O modo NASF de ser parece que propõe uma discussão disciplinar gigantesca. Mudar é muito difícil, a bem pouco tempo a palavra colaborar não fazia parte do vocabulário da força de trabalho em saúde e integrar processos de cuidado é um desafio constante para gestores.

A figura que ilustra esse post talvez possa ajudar na compreensão e complexidade da proposta. Ela avalia considerando componentes diferentes a construção desse processo em um continuum, isto é, é preciso construir essa integração passo a passo tendo em conta as diferenças e necessidades comuns para o benefício dos usuários do sistema.

Obrigada pela visita!

Referências:

Cadernos de Atenção Básica, n. 27 (2010) Diretrizes do NASF: Núcleo de apoio a Saúde da Família

Cadernos de Atenção Básica, n. 39. (2014) NASF: ferramentas para gestão e trabalho

Collaborative Care: Models for Treatment of Patients with Complex Medical-Psychiatric Conditions

Plano de ação para a Saúde Mental criado pela OMS

Em maio de 2013 foi criado o pelos membros da OMS/ Organização Mundial de Saúde o Mental Health Action Plan 2013-2020.

O plano de ação reconhece a importância da saúde mental da saúde geral da população. Os objetivos são a equidade através da cobertura universal e enfatizar ações de prevenção.

O link abaixo dá acesso ao documento final desse plano:

http://mhinnovation.net/sites/default/files/downloads/resource/MHAP.pdf