Eu escolhi você!

Os opostos se atraem? Sim não? Quando? Como as alianças invisíveis dos relacionamentos hoje se constroem fisicamente, quimicamente, racionalmente?

Como a atração entre duas pessoas acontece?

Em uma conversa de bar, nas festinhas de final de ano, um amigão cita com entusiasmo um artigo publicado na Nature sobre a influencia do HLA nas parcerias humanas e satisfação sexual. Neste, a ideia principal é a de que os opostos se atraem.

O estudo trazia um pouco mais do que isso… por exemplo: a importância do odor nessa busca instintiva, incluindo o desejo de procriar. É legal! Vale a pena ler e observar como a ciência pode ajudar na demonstração de que essa “história” é ainda um mistério.

Compartilhei aqui também outra referência que essa semana me botou pra pensar em “como”, “quando” e “por quê” se escolhe um par.

Clarice Falcão, que não é cientista, dá uma resposta engraçada. (se você for menor de 18 anos ou se incomodar em ver cenas de nu não clique no vídeo)

Resumindo, a conversa me levou da “origem” descrita nos textos bíblicos, incluindo de fotos que remetem ao paraíso e tentação ao proibido, aos tempos de youtube, redes sociais e escolhas feitas sem cheiro.

Feliz Natal e obrigada pela visita e leitura!

Karen

Referências:

Como o seu corpo escolhe o seu parceiro sexual sem que você perceba? BBC Brasil

Influence of HLA on human partnership and sexual satisfaction ( Nature, 2016)

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Love yourself :) <3

Faz um par de semanas que eu não apareço por aqui. Não por falta de vontade, mas por excesso de preocupação com os rumos do que eu escrevo.

…às vezes isso acontece: a gente quer tanto que paralisa. Já viveu isso também?

Publicar aqui, além de dizer daquilo o que eu amo fazer como profissional de saúde mental e psicologia, que é cuidar, é também escrever: uma paixão que corre paralela a tudo o que eu faço.

Já tive vontade de escrever relatórios em forma de prosa, colar poesia com a metodologia científica de escritos baseados em evidências, e invertar palavras em cartas institucionais. Quem nunca, né?

Todo mundo que trabalha com saúde sabe como o nosso meio pode ser formal, quase rígido. A gente que cuida e lida com vidas parece que tem um pedaço de razão e outro de emoção costurada e que muitas das vezes fica pra depois, pois trabalhamos com evidências. De qualquer jeito a gente sabe, e não tem jeito: tá tudo misturado mesmo.

Nesse ponto eu tenho sorte, pois escolhi uma ciência e profissão que pula das ciências humanas pras ciências médicas muito facilmente: a minha doce psicologia. Amo essa ciência e a construção do seu conhecimento clínico acontece no encontro. Nada melhor do que ouvir a voz e a experiência de quem a gente cuida. Sim … sim… sim…a clínica supera tudo.

Ok! Pra quem já passou por aqui, preciso avisar que hoje eu to dando aqui no blog uma volta de 360 graus, já que os últimos posts trouxe muitas questões relacionadas ao estigma e cuidado em saúde mental considerando o ponto de vista da força de trabalho em saúde, tema central do meu doutorado. Me desculpem, sei que foi de repente!

Por outro lado, esse mesmo doutorado cresceu mesmo (de dentro de mim) foi quando ouvi a narrativa de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade com necessidades importantes e desenvolvendo criativamente modos de enfrentamento inesperados do sofrimento emocional.

Assim, nesse post, escrevo inspirada nessas pessoas e em uma moça de coragem que atendi(me encontrei) por esses dias. O encontro com ela me ajudou a retomar uma outra paixão antiga: pessoas que sobrevivem à experiência de doenças onco-hematológicas.

Trabalhar na clínica com oncologia e assim como com outras doenças crônicas também faz parte da minha história. São 13 anos de prática clínica, de muitas alegrias e de de grandiosos encontros onde as emoções se veem diante da perda da saúde (ou do que se acredita que ela deva ser) , mas nunca da esperança.

Motivada por isso tudo achei nas internet algumas coisas bem legais que vou compartilhar nos próximos posts sobre pessoas que vivem a experiência do transplante de medula óssea. Um tratamento com muitas nuances e que aos poucos vou contando o que é…(agora não dá, não quero complicar mais a vida do leitor :))

Assim, pra começar essa jornada sobre a experiência de portadores de câncer, compartilho a página do youtube de uma garotinha inglesa de 12 anos, portadora de cancer onco-hematológico, cheia de graça, senso de humor, esperança e vida.

Com vocês Evie:

Obrigada pela leitura!

Referências:

Canal da Evie no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCj7Rg0VTc9GjT4QDznUrFoQ 

Imagem de abertura do post: http://www.scientific.com.br/wp-content/uploads/2012/10/heart_blood.jpg

 

Pensando a Rede de Saúde Mental usando casos reais

Minha amiga e parceira de trabalho em pesquisa Alice Menezes me pediu pra ajudar a encontrar material de discussão sobre a Rede de Saúde Mental.

A partir das experiências que tive nos últimos anos como gestora, em atividades de educação permanente, clínica e pesquisa em processos de integração de trabalho não vejo melhor caminho do que usar a experiência de grupos de trabalho em saúde que lidam com as necessidades do público do SUS bem a leitura dos próprios usuários.

A fim de colaborar compartilho atividade realizada nas pós graduações onde tenho lecionado de gestão da Saúde da Família e na Residência Multiprofissional em saúde mental nos últimos meses.

Nessas atividades educacionais, inspirada na avaliação da integração da saúde mental e atenção primária em conclusão pelo meu trabalho de doutorado, desenvolvi um crivo com alguns componentes estudados como : acesso, porta de entrada, relação de confiança e problemas psicossociais para serem abordados considerando o lugar de profissional de saúde e a expectativa do usuário.

Cada um desses componentes foi visto em cada um desses casos reais compartilhados na Comunidade de Práticas da Atenção Básica e que foram produzidos para a IV Mostra Nacional de Experiências de Saúde da Família.

Através da atividade coletiva de trabalho linkada aqui ( clique no aqui :)), os casos abaixo foram analisados em grupo:

  1. Grupo de mulheres, Chá das superpoderosas
    https://novo.atencaobasica.org.br/relato/4239

2. Maternidade Assistida de pacientes com problemas graves de saúde mental https://novo.atencaobasica.org.br/relato/560

3. Atendimento conjunto de paciente vivendo em situação de isolamento Quando a compaixão supera o medo

https://novo.atencaobasica.org.br/relato/2506

4. E Jornal Folha de Lírio espaço virtual criado por um usuário do CAPS. https://novo.atencaobasica.org.br/relato/2380

A intenção da atividade é poder repensar a distância entre o jargões usados pelos trabalhadores de saúde e os seus sentidos, bem como indicar mais claramente e de que modo as diferenças entre as profissões e lugares institucionais envolvidos. Neste sentido a intenção é a de favorecer o alinhamento conceitual para funcionar em conjunto visando o benefício de quem usa a rede de cuidados em saúde.

Obrigada pela leitura! E espero que possa ser de bom proveito.

ps: gosto muito de usar essa figura pra pensar redes pois ela lembra que existem diferentes formas de se trabalhar o design institucional usando a mesma palavra. Por isso a importância de se entender de que rede se trata.

 

Entrevista Motivacional no Cuidado em Saúde

O artigo que motivou este post foi um estudo publicado na semana passada sobre essa técnica para atividade de educação permanente e interprofissional.

Trata-se de um estudo de 10 anos que verifica o quanto essa técnica, com metodologia simples e dialógica, pode facilitar as atuações entre profissionais no trabalho colaborativo, bem como entre profissionais de saúde e pacientes, empoderando, pactuando e valorizando as diferenças a fim de motivar ações em saúde.

O estudo ainda aponta um melhora na coordenação de ações entre multiprofissões para o trabalho em saúde.

No Brasil trata-se de uma técnica que se usa em diferentes ações de saúde mental e atenção primária com interesse na adesão de cuidados e da necessidade de mudança de comportamentos relacionados ao uso de medicações, uso abusivo de drogas, mudança de comportamento com possibilidade de recaída.

Encontrei dois vídeos em português que podem ajudar a quem tiver interesse em avançar na compreensão da técnica em questão:

O segundo video aponta os desafios da entrevista motivacional diante do paciente. O video é em português de Portugal e traz exemplos diferentes de abordagem de situações onde a intenção é a de motivar a reflexão para a introdução de comportamentos participativos:

Também fiz uma rápida busca em lingua estrangeira e achei um site interessante onde alguns profissionais com experiência nessa área falam de como vivem e pensam usando essa técnica de cuidado de um modo mais abrangente.

site: http://www.motivationalinterviewing.org

Obrigada pela leitura!

Referências:

Results From 10 Years of Interprofessional Training on Motivational Interviewing

A técnica da entrevista motivacional na adolescência

Revisão de literatura sobre a aplicação da entrevista motivacional breve em usuários nocivos e dependentes de álcool

Suicídio e evidências científicas

Foi com base em evidências científicas que decidi essa semana explorar o tema suicídio.

Assino algumas revistas e duas entre elas publicaram artigos sobre o assunto com questões variadas e que podem ser relevantes nas discussões sobre o tema.

Entre as evidências discutidas nos artigos publicados na última edição do Community Mental Health Journal e General Hospital Psychiatry destacarei algumas. Entre elas:

  1. O conhecimento sobre o assunto aumenta a confiança dos profissionais de saúde para intervir em situações de suicídio.
  2. O baixo ou médio conhecimento sobre o assunto indica uma lacuna nesse tipo de qualificação, bem como a necessidade urgente do desenvolvimento de competências específicas pra o acolhimento de casos de suicídio, especialmente em profissionais da atenção primária.
  3. Vulnerabilidade social associada a preocupações com sua alimentação e a sensação de não pertencimento a nenhum grupo são fatores de risco para o suicídio nas comunidades estudadas. Intervenções sociais e econômicas são recomendadas como modo de prevenir o suicídio.
  4. A exigência de performance escolar universitária e sua relação com o suicídio pode diminuir se o campus universitário integrar atividades físicas, mentais e acadêmicas.
  5.  A ideação suicida pode se apresentar como passiva em comunidades com alta prevalência de HIV, todavia nas pessoas portadoras da doença que participam em atividades comunitárias esse pensamento, mesmo que passivo, é menos observado.
  6. 2/3 das pessoas que perderam um ente querido buscam terapias de apoio. Considerar aspectos fenomenológicos especialmente relacionados ao Estresse pós-traumático se revelou importante nesse estudo para o melhor delineamento da condução dos tratamentos de luto com sucesso e alívio para quem sofreu uma perda por suicídio.
  7. O risco de suicídio em pacientes com co-morbidades mentais é maior, aponta em estudo realizado na Coréia.
  8. O suporte familiar que favorece a comunicação entre pais e filhos como foco do cuidado fortalece o relacionamento familiar e pode previnir o suicídio de adolescentes.
  9. O uso do álcool e outras drogas pode facilitar a passagem entre uma ideação suicida a um comportamento.
  10. Pode haver uma relação causal entre questões de gênero, ocupação e suicídio.

É muita coisa junta e diferente. Entretanto a gente pode perceber, apenas fazendo um leitura dos assuntos, a relevância e urgência da discussão para os profissionais de saúde.

A busca de evidências aponta para a questão do suicídio como um processo multifatorial e complexo onde o cuidado exige habilidades de leitura do comportamento humano, bem como habilidades de comunicação/ intervenção que favoreçam a mudança de percepção ou dúvida ideacional por parte de quem vive esse processo.

Não se trata de uma tarefa simples nem objetiva substituir algo da ordem do sofrimento intolerável por esperança e um impulso de vida em busca de soluções. De todo modo precisamos estar preparados para isso e ativar os recursos possíveis para tal como a construção de redes, campanhas anti-estigma, bem como o uso de intervenções psicológicas individuais, comunitárias e o uso medicações apropriadas.

Obrigada pela leitura!

Referências:

a imagem que ilustra esse post é de um veterano artista de rua britânico chamado Banksy cujos trabalhos em estêncil são facilmente encontrados nas ruas da cidade de Bristol, mas também em Londres e em várias cidades do mundo.

E os artigos estão nas edições de Julho de 2016 dos Jornais com links abaixo:

http://www.journals.elsevier.com/general-hospital-psychiatry

http://link.springer.com/journal/10597

 

Como reconhecer sinais que podem indicar Suicídio?

Esse é mais um post sobre o tema suicídio… Achei que seria útil indicar aos leitores interessados no problema como entender os sinais de situações de suicídio e como proceder nesses casos.

Por isso linkei uma matéria que eu achei interessante com apontamentos importantes para a identificação da intenção de suicídio.

Ela é bem clara e traz recomendações para:

profissionais,

familiares, amigos

e também diz o que fazer se você perceber que este pensamento o acompanha.

http://pt.wikihow.com/Reconhecer-os-Sinais-de-Alerta-do-Suic%C3%ADdio

…Mais do que isso, o artigo aponta quando e onde procurar ajuda.

Quando se deve procurar um profissional para o cuidado de situações que envolvem a questão do suicídio ?

…assim como onde, em situação de emergência, é possível se reportar procurando apoio?

Vale lembrar aqui o papel que o Centro de Valorização da Vida tem tido como instituição disponível e aberta 24/24 para esse tipo de apoio. Por isso, sugiro uma visita ao site dessa instituição (http://www.cvv.org.br) onde é possível encontrar um número de telefone 141 para pedido de ajuda, chat online e Skype.

Também anexei um videozinho rápido (1:30) com um especialista mencionando os sinais que indicam alerta para o suicídio:

O segundo vídeo é uma campanha publicitária premiada cujo o tema é suicídio. A campanha se passe em Belgrado, capital Sérvia, e revela o aumento da busca de ajuda telefônica quando preciso a partir de ações realizadas na cidade. A campanha mostra como os Sérvios investiram na ressignificação do local onde um número importante de suicídios costumava ocorrer.

O mais legal da campanha na minha opinião é que ela alerta para a reativação de sentimentos de ESPERANÇA. Isto é, saber que não se está sozinho e que soluções sempre são possíveis, mesmo que não sejam as ideais.

Obrigada pela visita!

Suicídio no Brasil

O video que inspirou esse post foi criado pelo grupo de pesquisa e prevenção do Suicídio da Fiocruz.

Nele as pessoas falam de suas impressões sobre o suicídio e o Professor Neury Botega comenta importantes questões a respeito do tema como:

  • De que forma a questão nos faz repensar o sentido da vida?
  • Que tabus sociais tem sido enfrentados nos últimos anos?
  • Aspectos de saúde mental
  • E qual o retrato do Brasil quando se trata desse assunto.

Os mais comuns, segundo ele, estão na ordem colocada abaixo:

  1. enforcamento
  2. agrotóxicos
  3. ferimentos por arma de fogo
  4. arremeter-se contra veículos
  5. e se jogar de locais altos

 

 

Além desses comentários outros muito esclarecedores sobre o pano de fundo da questão em si estão colocados no vídeo… Vale a pena assistir pois trata de aspectos da realidade Brasileira apontando o papel das questões sociais e ligadas ao desenvolvimento humano nos dias atuais.

Por fim, a figura que ilustra esse post coloca o problema em números e por Estados do Brasil!

Obrigada pela visita!