Internet e Saúde: ciberespaSUS em foco

‪Ontem eu participei de uma aula aberta com o grupo de alunos do Curso de Especialização em Comunicação & Saúde do Icict/Fiocruz.

Bruna Castanheira, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade, da Fundação Getúlio Vargas e eu fomos lá conversar sobre Saúde e Internet.

A Bruna é advogada estuda e milita pelo avanço do Marco Civil como uma  importante regulamentação para o uso da informação e comunicação nas redes.

Eu, psicóloga, levei minhas experiências com educação permanente e à distância em saúde, bem como o uso das redes sociais como um espaço para informar, comunicar e refletir sobre essas práticas com base nas experiências dos trabalhadores do SUS.

A fim de trazer experiências concretas sobre o assunto compartilhei uma apresentação feita sobre educação em rede para integração da atenção primária e saúde mental.

Além da revisão de literatura, na primeira parte da apresentação usei como exemplos de prática 3 atividades virtuais com designs diferentes: o Telessaude, E-learning sobre Grupos na Atenção Primária e a Rede Social Comunidade de Práticas.

Na segunda parte apresentei um levantamento dos artigos escritos nos últimos dois anos com a temática da aula. A apresentação e as referências estão à disposição no link: Saúde e Internet apresentação.

A conversa com o grupo multidisciplinar trouxe a tona pontos de discussão como: as bolhas que a internet cria, os conceitos de privacidade e acesso à internet, bem como discussões em torno das comunicações em saúde on-line e o impacto disso na construção de ideias e conceitos relacionados ao SUS e a relação equipes de saúde-usuários.

Esse encontro foi um convite do ICICT para a retomada de uma discussão realizada  durante a IV Mostra Nacional de Experiências em Saúde da Família. Naquele momento em 2013 estavam também a Rede HumanizaSUS, a Comunidade de Práticas e outros parceiros como grupo da Wikipedia Brazil, vários blogueiros do SUS e pesquisadores do assunto.

Retomar essa conversa com trabalhadores da comunicação em saúde, um pouco mais de dois anos depois, me fez pensar na importância da saúde pública seguir os passos do Marco Civil para puder colocar em discussão as normas da comunicação em saúde on-line.

Aspectos éticos, estruturais e institucionais da saúde nos espaços virtuais precisa avançar na reflexão dos seus processos, assim como criar normas claras que circunscrevam e fundamentem suas ações de modo pelo menos um pouco mais claro e estruturado.

Felizmente, ontem, percebi que essa árdua tarefa conta com profissionais e pesquisadores que parecem querer levar isso a frente.

O encontro me fez me sentir motivada! Quero mais…

Foto do post foi tirada durante a IV Mostra, falta muita gente ai dentro dela, mas foi a que eu achei. 🙂

Vídeo sobre Neutralidade na Internet:

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Pensando a Rede de Saúde Mental usando casos reais

Minha amiga e parceira de trabalho em pesquisa Alice Menezes me pediu pra ajudar a encontrar material de discussão sobre a Rede de Saúde Mental.

A partir das experiências que tive nos últimos anos como gestora, em atividades de educação permanente, clínica e pesquisa em processos de integração de trabalho não vejo melhor caminho do que usar a experiência de grupos de trabalho em saúde que lidam com as necessidades do público do SUS bem a leitura dos próprios usuários.

A fim de colaborar compartilho atividade realizada nas pós graduações onde tenho lecionado de gestão da Saúde da Família e na Residência Multiprofissional em saúde mental nos últimos meses.

Nessas atividades educacionais, inspirada na avaliação da integração da saúde mental e atenção primária em conclusão pelo meu trabalho de doutorado, desenvolvi um crivo com alguns componentes estudados como : acesso, porta de entrada, relação de confiança e problemas psicossociais para serem abordados considerando o lugar de profissional de saúde e a expectativa do usuário.

Cada um desses componentes foi visto em cada um desses casos reais compartilhados na Comunidade de Práticas da Atenção Básica e que foram produzidos para a IV Mostra Nacional de Experiências de Saúde da Família.

Através da atividade coletiva de trabalho linkada aqui ( clique no aqui :)), os casos abaixo foram analisados em grupo:

  1. Grupo de mulheres, Chá das superpoderosas
    https://novo.atencaobasica.org.br/relato/4239

2. Maternidade Assistida de pacientes com problemas graves de saúde mental https://novo.atencaobasica.org.br/relato/560

3. Atendimento conjunto de paciente vivendo em situação de isolamento Quando a compaixão supera o medo

https://novo.atencaobasica.org.br/relato/2506

4. E Jornal Folha de Lírio espaço virtual criado por um usuário do CAPS. https://novo.atencaobasica.org.br/relato/2380

A intenção da atividade é poder repensar a distância entre o jargões usados pelos trabalhadores de saúde e os seus sentidos, bem como indicar mais claramente e de que modo as diferenças entre as profissões e lugares institucionais envolvidos. Neste sentido a intenção é a de favorecer o alinhamento conceitual para funcionar em conjunto visando o benefício de quem usa a rede de cuidados em saúde.

Obrigada pela leitura! E espero que possa ser de bom proveito.

ps: gosto muito de usar essa figura pra pensar redes pois ela lembra que existem diferentes formas de se trabalhar o design institucional usando a mesma palavra. Por isso a importância de se entender de que rede se trata.

 

Trabalho colaborativo e integrado: desafios que o NASF traz para o SUS

…uns pares de anos atrás, em um curso com um professor espanhol de Zaragoza, sobre, acho que, metodologia de pesquisa qualitativa, estávamos discutindo a portaria que criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família.

A ideia ali era pensarmos juntos na proposta normativa que incluía na linguagem do SUS alguma coisa nova, começando pela inclusão da palavra-ideia: trabalho em colaboração.

Referência e contra-referência como modalidades de encaminhamento e de apoio na ligação entre diferentes níveis de atuação do sistema de saúde passaram a ser acompanhadas dessa nova referência.

Pois é, …

Naquela conversa que eu não me lembro quando e nem direito porque eu estava presente, esse professor que eu não me lembro o nome me fez uma pergunta que me motivou a fazer o doutorado:

Qual o impacto do NASF ( da inclusão de práticas colaborativas que integram diferentes profissões) no SUS que vinha sendo organizado por práticas de encaminhamento entre diferentes profissionais atuando em diferentes níveis de complexidade (e com muito pouca comunicação entre os mesmos)???

A pergunta é grande, mas é assim mesmo, e eu acho que ainda não consigo responder…enfim…

Desde aquele tempo muitas coisas se passaram… e os NASF cresceram em cobertura e em desenvolvimento de ações cada vez mais qualificadas.

Hoje, em razão de uma das disciplinas do tal doutorado tive que reler 2 importantes documentos de orientação para a prática das equipes dos novos, já nem tão novos, serviços NASF.

O Caderno de Atenção Básica (n.27), criado dois anos depois da portaria dá as diretrizes para a constituição e organizaçao das equipes e serviços NASF com o objetivo de apoiar e ampliar a capacidade da Atenção Primária Brasileira resolver problemas no território.

O segundo Caderno de Atenção Básica sobre o assunto ( n. 39), publicado em 2014, avança na discussão. Ele aponta ferramentas para a gestão e trabalho e descreve as linhas de ação do NASF com base em 3 pilares:

  1. retaguarda especializada
  2. clínico-assitencial
  3. técnico pedagógica

As ações tem seus referenciais conceituais alinhados com a atenção primária e visam, em tese, o cuidado continuado, longitudinal, próximo e integral.

De todo modo, através desses anos de estudo e experiência na área através da clínica, pesquisa e discussões técnicas é inegável que o impacto extrapola as organizações de saúde.

O modo NASF de ser parece que propõe uma discussão disciplinar gigantesca. Mudar é muito difícil, a bem pouco tempo a palavra colaborar não fazia parte do vocabulário da força de trabalho em saúde e integrar processos de cuidado é um desafio constante para gestores.

A figura que ilustra esse post talvez possa ajudar na compreensão e complexidade da proposta. Ela avalia considerando componentes diferentes a construção desse processo em um continuum, isto é, é preciso construir essa integração passo a passo tendo em conta as diferenças e necessidades comuns para o benefício dos usuários do sistema.

Obrigada pela visita!

Referências:

Cadernos de Atenção Básica, n. 27 (2010) Diretrizes do NASF: Núcleo de apoio a Saúde da Família

Cadernos de Atenção Básica, n. 39. (2014) NASF: ferramentas para gestão e trabalho

Collaborative Care: Models for Treatment of Patients with Complex Medical-Psychiatric Conditions