Rio de Janeiro, Afeganistão e o cuidado afetivo de experiências traumáticas!

Esses dias…, (muitos dias) eu estava conversando com colegas sobre como podemos criar mecanismos para lidar com as situações de violência que atravessam o trabalho em saúde.

Ultimamente (cotidianamente, cronicamente, armadamente), no Rio, a população tem se visto de novo diante da intensificação de situações de guerra… que se misturam com situações de vulnerabilidade econômica e social.

O cenário atual da saúde por aqui conta com serviços inseridos nesses territórios atendendo a população que sofre com a violência armada.

Enquanto a sensação de impotência quase tomava conta da roda de conversa em grupo buscando criar ações para ao mesmo tempo proteger as equipes inseridas nesses espaços, bem como o seu mandato de cuidar da saúde de populações vulneráveis, eu me lembrei de um vídeo que eu tinha visto a um certo tempo no Tedtalks (meu vício).

Esse vídeo traz a experiência de uma psicóloga Junguiana que trabalhou em situação semelhante no Afeganistão. Ela conta como seu grupo estabeleceu conecções afetivas fortalecedoras considerando que a fala e a escuta de sobreviventes no Afeganistão, em situações bem parecidas com as que vivemos hoje aqui no Rio, podem ser cuidadas.

Vale a pena dar uma olhadinha no vídeo e também  cuidar disso…

obs: pra quem não estiver visualizando a legenda em português, dá pra selecionar ! é só clicar quadradinho do canto direito do vídeo.

Veja, ouça e comente.

Obrigada pela leitura!

Karen

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Atendimento de Estresse Pós Traumático Online

O estudo piloto que inspirou este post avaliou o uso de smartphones no cuidado de portadores de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A metodologia foi utilizada para casos com dificuldades de realizar psicoterapia pessoalmente por limitações geográficas.

A possibilidade de realizar esse tipo de atendimento on-line, bem como os resultados clínicos dessa modalidade de intervenção foram os alvos desse estudo. Como resultado  foi observada a redução de sintomas de Estresse Pós-Tramático (TEPT) nos pacientes que completaram o programa via teleconferência, embora com uma performance diferente dos tratamentos presenciais em termos de linguagem.

Outro estudo similar realizado em 2010, com veteranos de guerra portadores de  TEPT e tratados com prolongada exposição à terapia via Telessaúde, também ja demonstrava a redução de sintomas através desse tipo de intervenção. Além disso, problematizou essa modalidade de tratamento considerando a segurança do paciente.

De um jeito outro de outro parece que os recursos online tem sido cada vez mais usados como uma carta na manga importante no cuidado de certos grupos. Assim, há que se discutir e buscar evidências considerando tanto as habilidades de quem cuida com as necessidades de quem é cuidado.

Referências

Face-to-Face but not in the Same Place: Pilot Study of Prolonged Exposure Therapy. (2016)

A pilot study of prolonged exposure therapy for posttraumatic stress disorder delivered via telehealth technology. (2010)